O início de um ano é sempre momento de entusiasmo. É como se o peso de problemas do ano anterior saísse das nossas costas, nos dando a oportunidade de começar de novo.
Isso não significa, porém, que as dificuldades do ano que passou são esquecidas. Nem devem ser. Precisamos trazê-las conosco, transformando-as em lições e considerando-as fonte da experiência de que precisamos para enfrentar com determinação os desafios deste novo ciclo. Sem dúvida, a maior dificuldade que enfrentamos em 2008 foi a crise financeira desencadeada em setembro – que até hoje tem efeitos incertos em diversos países. Aqui no Brasil, já sentimos os efeitos da alta do dólar norte-americano, a restrição do acesso ao crédito e a queda no volume das exportações. E a incerteza quanto ao desenrolar dessa tempestade financeira em 2009 acabou obrigando o setor produtivo a colocar o pé no freio.
A indústria brasiliense também foi contaminada pelo vírus da crise. Mas todo o trabalho que tem sido feito para fortalecer o setor – com a união da classe e com o suporte do governo do Distrito Federal – serviu para aumentar nossa imunidade e minimizar os impactos. É claro que a crise foi um balde de água fria nas nossas perspectivas para 2008, pois vínhamos celebrando um crescimento constante, inclusive nas exportações.
Mas não foi capaz de nos tirar do caminho do desenvolvimento econômico sustentável. Isso nos mostra que cuidar bem do setor produtivo é uma das formas mais inteligentes de blindar a economia local e do País. Veja só o que a crise já nos ensinou.Não fosse o peso da carga tributária no Brasil, tenho absoluta certeza de que estaríamos ainda mais resistentes. Esperamos, no ano passado, que a reforma tributária fosse aprovada e a legislação em vigor – incompreendida por patrões e trabalhadores – ficasse para trás. Infelizmente, continuamos esperando. Mas não podemos ficar de braços cruzados. Nós, empresários, temos função fundamental para que esse projeto saia do papel.
Temos de nos articular e mobilizar a sociedade pela aprovação urgente dessa reforma neste ano. Cuidar bem do setor produtivo é também cuidar dos trabalhadores e zelar pelas condições a eles oferecidas nas empresas. Com base nesse conceito e visando a tornar a indústria brasileira mais forte, o Serviço Social da Indústria (Sesi) anuncia que suas ações serão cada vez mais voltadas para o setor. Nessas seis décadas, as atividades sociais promovidas pela instituição acabaram se estendendo à comunidade em geral, suprindo muitas vezes a carência de ações governamentais. Embora todo esse trabalho em benefício da população nos dê muito orgulho, houve uma dispersão do foco de atuação do Sesi em âmbito nacional. No DF, desde 2002, trabalhamos com foco na qualidade de vida dos industriários e dependentes, mas com o novo posicionamento, todas as regionais seguirão o mesmo caminho.
Ao mesmo tempo em que o novo posicionamento do Sesi é um retorno às origens, mostra que a instituição está se preparando para o futuro. Por isso, além do bem-estar dos trabalhadores e de suas famílias, a educação receberá cada vez mais atenção da entidade. E o Sesi já sabe o que quer ser nos próximos anos: um provedor de soluções e um centro de conhecimento para a indústria.Garantindo as condições adequadas para o desenvolvimento produtivo, ficaremos cada vez mais resistentes a turbulências. E, convertendo em lições os obstáculos de hoje, as dificuldades de amanhã ficarão menores.
Um feliz 2009 e boa leitura.
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