Brasília forte e orgulhosa

Alguns nunca se conformaram com a transferência da capital federal para o planalto goiano. Outros sabem muito pouco sobre o Distrito Federal, pois não vão além da Esplanada dos Ministérios, da Praça dos Três Poderes e de alguns lugares freqüentados pelo meio político.

Mas nós, que aqui vivemos, conhecemos muito bem nossa pequena unidade federativa de pouco menos de 6 mil quilômetros quadrados e o conjunto de cidades que, no quadrilátero do DF, hoje abrigam mais de 2,5 milhões de pessoas. Por isso, sabemos que Brasília, a capital da República, não é a “ilha da fantasia”, como a chamam os que não gostam daqui e pensam que vivemos em um centro de poder afastado física e politicamente do Brasil “real”. Sabemos que Brasília tem as características humanas e culturais de qualquer lugar de nosso país, que aqui estão pessoas que vivem como vivem os habitantes de outras cidades, que temos problemas sociais e urbanos semelhantes aos de qualquer unidade da Federação. Vivemos também no Brasil real, sem fantasias.

Mas temos de admitir, e nos orgulhamos disso, que estamos bem à frente de outras cidades e unidades federativas em inúmeros aspectos. Nossos indicadores sociais e econômicos efetivamente colocam Brasília em posição privilegiada. Temos o melhor Índice de Desenvolvimento Humano, a maior renda per capita, os menores níveis de mortalidade infantil e de analfabetismo, a maior expectativa de vida, os mais altos índices educacionais, a melhor cobertura de redes de água e esgoto… são apenas alguns exemplos, quedemonstram bem a indiscutível superioridade do Distrito Federal em termos de qualidade de vida.

Não temos de recusar ou esconder essa superioridade, pelo contrário. Temos de nos orgulhar dela e, mais do que isso, beneficiar nossa população com essas condições extraordinárias. Ainda mais porque, ao lado dos bons indicadores sociais, temos índices econômicos também altamente favoráveis e somos um grande mercado consumidor. Nossa infra-estrutura, embora ainda insatisfatória para as necessidades de uma grande metrópole, é igualmente um fator positivo. Estamos conectados por rodovias a todo o País, temos o terceiro mais movimentado aeroporto brasileiro, contamos com um porto seco e boas possibilidades de ser alcançados por importantes ferrovias.

Brasília é hoje um pólo urbano e econômico que, como mostra estudo recentemente divulgado, influencia 298 municípios brasileiros, localizados em Goiás, em Minas Gerais e na Bahia.

Tudo isso faz do Distrito Federal um excelente lugar para investimentos produtivos. Temos, aqui, um ambiente bastante adequado para as atividades econômicas que geram renda e empregos. Esse ambiente vê-se ainda mais favorecido diante das diretrizes e ações que vêm sendo implementadas pelo governo local, que tem sabido captar as aspirações do setor produtivo e responder a seus anseios.

Temos hoje como oferecer aos que investem aqui incentivos fiscais e condições de instalação que nos tornam competitivos diante de outras localidades. Precisamos nos empenhar nessa missão de atrair investimentos, ampliando nossa produção, atendendoo mercado interno e exportando mais nossos produtos.

A crise financeira, que já alcançou patamares de crise econômica mundial, deve nos preocupar, mas não nos assustar. Não podemos minimizá-la, mas temos boas condições de enfrentá-la. A atração de investimentos produtivos é um dos caminhos para esse enfrentamento. O ministro Delfim Netto, na excelente palestra que proferiu em nossa entidade e na entrevista publicada nesta edição, analisa com clareza e conhecimento os efeitos da crise.

Vamos sofrer percalços, como a expressiva redução do nosso volume de exportações em outubro, que interrompeu uma trajetória grandiosa de vendas externas. Foram US$ 142,1 milhões nos dez primeiros meses do ano – 122% a mais do que no mesmo período do ano passado. A queda em outubro foi de 65,20% em relação ao mês anterior. Embora tenha sido o resultado mais negativo do ano, mostra que estamos mais fortes, pois ainda assim o volume de exportações foi 30% maior do que o de outubro de 2007. Mas temos de encarar as dificuldades como desafios. Isso é o que fazem os verdadeiros empreendedores.

Antônio Rocha, presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra)


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