O crescimento acelerado da produção industrial brasileira traduz o nível de otimismo que o empresariado vem demonstrando nestes últimos meses. Para coroar esse momento da economia, tomamos conhecimento, ainda em Nova Delhi, na Índia, daquilo que vem sendo preparado pelo governo federal a título de política industrial do Brasil. Em linhas gerais, e se não forem modificadas até o dia do anúncio oficial, a proposta prevê um crescimento da taxa de investimento, saltando dos atuais 17,6% verificado em 2007 para 21,2% do Produto Interno Bruto (PIB) até o ano de 2010.
A mesma diretriz vai acertar em cheio a balança comercial brasileira. Pelo que foi demonstrado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, na missão empresarial à Índia, o Brasil deve aumentar também a participação no volume mundial de vendas. Espera-se sair de 1,17% para 1,25% também até o ano de 2010. E para isso, o governo pretende, segundo o ministro, reduzir o imposto sobre a produção.
A conjunção desses três itens é importante. Ela reforça a necessidade de uma política que crie incentivos à produção industrial em outras regiões brasileiras. Embora o governo não trabalhe com política regionalizada, a fato de a proposta abranger os 25 macro-setores da economia significa que o Distrito Federal poderá se beneficiar com novas indústrias, sempre com a ressalva de se manter a vocação produtiva da capital brasileira. Ou seja, há interesse, em especial, pelos setores de tecnologia da informação e comunicação (TIC), semicondutores e fármaco.
Brasília vive um momento ímpar. O Parque Tecnológico Capital Digital (PTCD) dá mais um passo no sentido de sua formulação. O governador José Roberto Arruda recebe o formato da organização social (OS) que vai gerir o projeto. Isso é um sinal importante para os investidores que estão ávidos para o início dos negócios. A indústria de fármacos, que começa a ser projetada no Pólo JK, vem ganhar espaço, como a União Química, o Aché, a Biolab e a central de distribuição de medicamentos do Ministério da Saúde.
Trata-se de um presente para a capital brasileira que, nesse mês de abril, comemorou 48 anos de existência. Com isso, seguimos rumo ao desenvolvimento econômico de forma sustentável, proposta que defendemos desde o início de nossa gestão à frente da Federação das Indústrias do DF (Fibra).
E, no momento seguinte ao aniversário de Brasília, se comemorou em grande estilo o Dia do Trabalho, com a Corrida do Trabalhador e a Festa do Trabalhador, uma parceria entre o SESI-DF e a Rede Globo Brasília. Aliás, trabalho é o principal destaque dessa edição da revista DF Industrial. Ela vem com o compromisso da iniciativa privada de ampliar a oferta de vagas no setor produtivo. Todas as nossas ações são nesse sentido.
Por isso, no mês de março, lideramos um grupo de industriais brasilienses em missão oficial à Índia. O seminário Brasil-Índia teve por objetivo ampliar o comércio bilateral. A meta é passar dos atuais US$ 3,12 bilhões registrados em 2007 para US$ 10 bilhões até o ano de 2010. Ao mesmo tempo, espera o governo brasileiro promover um maior equilíbrio desta balança comercial, hoje mais favorável aos indianos. Isso é possível, pois, vem ocorrendo o diálogo entre os governos dos dois países e os empresários.
Ao mesmo tempo, iniciamos contatos com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para que possamos elaborar uma ação que vise inserir o DF no mercado mundial. Dentro das próximas semanas devemos promover uma reunião com a participação da assessoria da Presidência da entidade. Isso nos dará condições de sermos mais competitivos.
Antônio Rocha, presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra)
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