A economia do DF

Nas últimas semanas a mídia mundial tem se voltado para a crise financeira – iniciada nos Estados Unidos exatamente no mercado imobiliário – e que provocou efeitos devastadores em diversos países. Verificou-se a perda do valor de mercado de alguns conglomerados nacionais e estrangeiros. As bolsas de valores oscilaram. O dólar norte-americano, em especial, aqui no Brasil, se valorizou sobre o real. O preço do barril do petróleo despencou. Os exportadores tiveram dificuldades de obter linhas de crédito para financiarem seus produtos nos mercados internacionais.

No Distrito Federal, que tem um perfil de indústria bem diferente das demais regiões brasileiras, os efeitos desta crise parecem distantes. Acredito que o governo federal conseguiu o “remédio” bem eficiente para que o paciente superasse os primeiros meses sem se contagiar. Fica evidente que não teremos um crescimento do tamanho que a equipe econômica projetava para o ano de 2008, mas com certeza seguiremos no caminho do desenvolvimento econômico sustentável.

Ainda nesta análise do setor industrial da capital brasileira, percebemos a evolução dos indicadores que permitirão mostrar à sociedade que o DF é também uma cidade do empreendedorismo. Aos poucos, os cidadãos de outros rincões começam a perceber outro perfil de Brasília, erguida neste planalto central, a partir do sonho de Juscelino Kubitscheck, para ser a capital política e administrativa do Brasil.

A cidade que se aproxima dos 50 anos de existência – tão jovem e tão moderna – tem uma relação bem próxima com um dos setores que ajudou a se erguer. O setor da construção civil é de tamanha relevância para a economia brasiliense. Um dos muitos exemplos é Águas Claras, um dos maiores canteiros de obras da América Latina. Lá, o ritmo da construção segue a passos mais acelerados. E esse fenômeno se constata em outras regiões do DF.

Devemos também incluir nesta expansão do segmento imobiliário o Setor Noroeste, a mais recente promessa de expansão com edifícios modernos, assim como os construídos no Sudoeste. As edificações do século 21 têm uma visão bem mais arrojada e empreendedora, com o aproveitamento dos espaços internos e externos dos prédios. Nos últimos dias, o GDF lançou o edital de licitação do Setor Mangueiral, o novo bairro da capital que terá oito mil casas e apartamentos a preços mais populares.

Os Indicadores de Desempenho da Indústria do DF mostram que em agosto de 2008, a construção civil obteve uma expansão de 8,80% no faturamento frente ao mês anterior. No acumulado entre janeiro e agosto se registrou a marca de 39,61%. O segmento também registrou expansão na contratação de mão de obra da ordem de 7,89%, e operava com índice médio de 76,69% da Utilização da Capacidade Instalada (UCI).

Outro dado bastante alentador diz respeito à participação do setor industrial no PIB do DF. Ou seja, do total de riquezas produzidas na capital brasileira, o segmento atingiu a marca de 10,2%. Em 2006, quando divulgamos o Plano Estratégico de Desenvolvimento Industrial (PDI-DF), a meta era sairmos de uma participação do PIB da ordem de 7,7% até atingirmos 14,1% no ano de 2015. O resultado alcançado em 2008 mostra o avanço obtido. Dentro deste contexto, a construção civil tem participação de 3,5%, uma fatia bastante significativa.

E reafirmo que outro fator que tem permitido a expansão do segmento é a parceria que foi estabelecida com o governo local. A partir da posse do governador José Roberto Arruda e do vice Paulo Octávio, buscou-se imprimir uma nova filosofia na administração pública. Ou seja, o Estado passou pelo processo de enxugamento da máquina que resultou numa economia financeira. Estes recursos puderam ser destinados para obras de infra-estrutura que eram anseios da sociedade.

A partir de uma visão do futuro é possível projetar um desempenho ainda mais pungente e mais dinâmico da nossa economia atrelado ao setor de mais se expande. Ao mesmo tempo, entendemos que há uma enorme relação em toda a cadeia produtiva. Ou seja, o crescer da construção civil permite a geração de mais emprego e renda para as famílias. Como conseqüência natural este desenvolvimento atinge toda a cadeia produtiva. Trata-se de um cenário no qual todos ganham e permite o avanço do País.

Antônio Rocha, presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra)

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