Brasília na Índia

A indústria do Distrito Federal vem promovendo, nos últimos meses, sob liderança da Fibra, importantes movimentos para mostrar ao mercado externo os atrativos de se investir na capital brasileira. Ao mesmo tempo, programas do governo federal têm servido de balizadores para que os empresários possam buscar novas oportunidades de negócios internacionais. E, nessa via de mão-dupla, se possibilita infinitas opções para os empresários brasilienses e para os investidores estrangeiros.

Nesse sentido, a convite do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, uma comitiva de empresários do DF desembarca em Nova Délhi, na Índia, para conhecer as possibilidades a serem oferecidas por um dos mais importantes países da Ásia. Com uma economia em ascensão, a Índia é hoje, junto com o Brasil, Rússia e China, motivo das atenções mundiais.

O objetivo da missão é ampliar o intercâmbio comercial Brasil-Índia. Para isso, foi elaborada uma agenda que atenda aos interesses dos dois países com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Índia.

Setores como madeira e mobiliário, eletro-eletrônicos, equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos e software e componentes integram os ramos de atividades industriais numa seleção feita tendo em vista os interesses desse comércio bilateral. A pauta de reuniões contempla temas como “Panorama do Mercado Indiano”, “Como fazer negócios na Índia” e “Apresentações Setoriais de Entidades Brasileiras”.

O programa da missão inclui reuniões entre os empresários dos dois países. Nesse contexto, teremos a oportunidade de mostrar as vantagens de investir no DF. Um documentário preparado sob encomenda da Fibra retrata os potenciais. Nele estão as medidas que vêm sendo adotadas para impulsionar o desenvolvimento da capital federal.

Para o DF, que alinhava o Parque Tecnológico Capital Digital (PTCD), mostrar aos investidores indianos o plano de trabalho significa a possibilidade de atrair empresas daquele país. Dentro das metas do Capital Digital, está a captação de R$ 1 bilhão até 2014 para o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Além disso, devemos atrair cinco laboratórios de Pesquisa & Desenvolvimento e 10 empresas-âncora para impulsionar o empreendimento.

Com o parque tecnológico funcionando a pleno vapor, as exportações do DF darão um salto bastante significativo. A meta de venda dos produtos para o exterior é de US$ 100 milhões. Isso significa dobrar o volume de exportações até o ano de 2014. No ano passado, o DF mandou para o mercado internacional US$ 81,5 milhões.

O fluxo comercial Brasília-Nova Délhi merecerá destaque. Assim como o resultado da balança aponta uma maior movimentação de aquisição dos produtos indianos, o DF também segue em desvantagens. As importações da Índia para a capital federal, em janeiro e fevereiro de 2008, ficaram acima de US$ 9 milhões. Porém, as exportações para aquele país ficaram abaixo das expectativas. A partir dessa oportunidade esse cenário pode mudar, tornando mais forte e eficaz essa relação de comércio exterior.

A partir desses investimentos, o PTCD estará contribuindo para equacionar um outro gargalo no DF. Apesar de a taxa de desemprego ser uma das mais elevadas do país, somente o parque brasiliense irá ofertar 80 mil novos postos diretos e indiretos, o que dará uma guinada na vocação de capital administrativa do país. Isso é importante porque a máquina pública não suporta mais contratações de trabalhadores.

Haverá também um impacto ainda não dimensionado em outros setores da economia local. O aumento da geração de empregos na indústria vai elevar também a renda e, por conseguinte, influenciará na ampliação do consumo. Ganham a cadeia produtiva e a sociedade.

Antonio Rocha, presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra)


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